Tuesday, November 11, 2008

Lutando com a velha pergunta: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

**do site do Aish Brasil - www.AishBrasil.com.br

Lutando com a velha pergunta:
Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Rebbetzin Feige Twerski

É uma velha pergunta: Por que as pessoas boas sofrem e as más prosperam? Pensadores e filósofos de todas as gerações, como também todas as pessoas afligidas pelas causas da existência, se esforçaram para encontrar claridade sobre esse assunto

Moisés, que era profeta, pediu a D’us, “Me mostre o Seu rosto,” representado por “Deixe me ver como as coisas realmente são” e a resposta de D’us foi, “Nenhum ser humano nesta vida pode ver ou apreender o significado dos Meus caminhos.” Porém, D’us mostrou a Moisés Suas costas, insinuando que somente o futuro, ou seja, após os acontecimentos, que Ele proverá significado, coerência e perspectiva a tudo.

Existem momentos em nossa vida em que nos sentirmos como se estivéssemos suspensos, à beira de um abismo, quando o mundo parece estar se movendo incontrolavelmente, jogando uma porção de eventos em nós que nos ameaçam. O rei David ,no livro de Salmos, clama a D’us dizendo, “Quando Você esconde Seu rosto, sou lançado neste estado de confusão, a ponto de perder a capacidade de suportar.” Em outro lugar ele exclama, “E é só quando Você derrama Sua luz que as coisas se
esclarecem, que nosso estado é iluminado.”

DOR E DIFERNIMENTO
Eu corri para o hospital onde minha querida amiga Debbie tinha acabado de dar a luz a um bebê com Síndrome de Down. Assim que entrei em seu quarto fui saudado pelo que parecia ser uma reação de contradições — lágrimas que caiam de seus olhos e ao mesmo tempo um grande sorriso que iluminava seu bonito rosto.

“Eu nunca teria escolhido ou pedido este desafio,” ela francamente admitiu, “mas se D’us estava procurando por uma casa amável e doce para esta pequena alma, Ele achou o lugar certo.”

A resposta repentina de Debbie ,se confrontando contra a adversidade, mostra sua atitude corajosa, baseada na fé. Admite que houve a dor e pesar, mas simultaneamente reconhece e concorda com a vontade de D’us, o Onisciente, o Conhecedor de todos os Seres, cuja sabedoria insondável dirige e orquestra tudo o que ocorre em nossas vidas.

A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas.

O senhor Bertrand Russel, filósofo e agnóstico famoso, em uma conversa com um clérigo, afirmou que não acreditava na existência de um D’us num mundo em que uma criança chorava de dor. O clérigo respondeu que, assim como ele, não acreditava em um mundo em que uma criança chore de dor e não exista nenhum D’us para justificar tudo isto. Obviamente o homem paga suas dívidas em vida. A dor é a sina inevitável da condição humana. A fé não elimina o sofrimento, mas provê uma perspectiva de significado e propósito para as coisas. Permite que tomemos conhecimento que, embora os caminhos de D’us sejam freqüentemente impossíveis de se entender , além
de nossa compreensão, não são arbitrários ou caprichosos. Eles seguem Seu plano para o destino final do ser humano, o que leva em conta passado, presente e futuro.

Somente um Ser que não seja circunscrito e limitado ao tempo, pode ver o retrato inteiro. Todos nós existimos numa fatia pequena do tempo, fora do contexto, e só temos acesso a um segmento minúsculo do quebra-cabeça enorme que fará sentido somente quando todos os pedaços forem colocados em seu lugar.

PROCURANDO O SIGNIFICADO NO SOFRIMENTO
Meu sogro, de santificada memória, gostava de contar a história de um homem que foi injustamente encarcerado por muitos anos nos tempos do Czar, na Rússia. Antes de começar seu encarceramento, implorou ao guarda para lhe dar algo construtivo para fazer durante sua longa e solitária estadia na prisão. O guarda apontou para uma roda na parede da cela completamente vazia. Ele aconselhou o prisioneiro a girar a roda, de modo que, de acordo com o guarda, ativaria um sistema de irrigação que faria florescer árvores e vegetação.
Por 20 anos o prisioneiro girou a roda incansavelmente imaginando seus magníficos jardins, resultado de seu trabalho duro. Depois de passado muito tempo, ele foi libertado. Seu primeiro pedido foi para ser levado aos jardins, produto de seus muitos anos de incansável trabalho de girar a roda. Os guardas então riram arrogantemente de sua ingenuidade e lhe disseram que a roda que tinha girado todos aqueles anos não era conectada a nada.
Ao ouvir esta terrível notícia o prisioneiro imediatamente caiu e morreu. O calabouço e a prisão de muitos anos não destruíram seu espírito, mas não poderia sobreviver sabendo que todos aqueles anos não serviram para nenhum propósito. Realmente, se o sofrimento não tem nenhum significado, a vida é reduzida para nada mais, além de uma piada cruel, e não vale nada o esforço exigido para viver no dia-a-dia. Como Nietzsche uma vez disse, “Aquele que tem uma razão para viver sobrevive de qualquer modo.”
Existem momentos em que, inicialmente, os eventos parecem ser trágicos ou menos desejáveis, e a história abaixo prova que este é um ímpeto para o crescimento e o desenvolvimento, realmente uma bênção para a vida.
Miriam, uma mulher jovem, muito bonita, que foi afetada por uma doença debilitante e terminal, expressa sua gratidão ao fim de sua longa luta. Ela fez com que a deixassem fazer o que quisesse de sua vida. Antes de sua enfermidade, se encontrava totalmente distraída. Sacudida pela série de acontecimentos, ela ficou sóbria e foi forçada a achar um caminho construtivo de existência e significado dentro dela.

O Sfat Emet, um comentarista Chassidico, explica o conceito de D’us à procura de homem. Ele o vê expressado pelas conseqüências sofridas por Adão e Eva em seu fatal engano de comer da Árvore do Conhecimento. A dificuldade aparente na narrativa é a de por que a serpente, que foi a responsável por atrair o homem a fazer o ato, foi simplesmente condenada para uma vida de rastejar com sua barriga e a comer somente o pó, enquanto que o destino humano, depois disso, seria de trabalho duro e infinita labuta. “Pelo suor de sua testa você comerá o pão,” e “com dor você deve dar a luz” seriam seus destinos. É justo que aquele que cometeu o pecado, a serpente, deveria ser posta à vida, levando-se em conta o fato de que o pó pode ser encontrado em todos os lugares, enquanto os descendentes de Adão e Eva teriam que lutar em todos os aspectos da existência, isto é, para se sustentar, para criar as crianças, etc.?
O Sfat Emet sugere que a serpente realmente sofreu o último castigo. Ela comeria o pó que está sempre presente e, deste modo nunca mais precisaria responder ou falar com D’us sobre seus atos. Ela nunca teria que erguer sua cabeça ao céus para perguntar a D’us por qualquer coisa. Na realidade, D’us a rejeitou e nunca mais quis ouvir falar sobre ela.
Em contraste, Adão e Eva e sua descendência inevitavelmente encontrariam os desafios para se alimentar e educar seus filhos. Seus esforços, em última instância, os motivariam a buscar e pedir a D’us, que deseja ter uma relação amorosa com cada um de nós. Não existe destino pior que do que o afastamento de D’us. Freqüentemente, a adversidade pode ser um catalisador poderoso para a conexão com D’us.
Miriam entendeu que sua enfermidade, mesmo sendo dolorosa e desafiadora, era um convite, um despertar, um telefonema de seu amoroso Criador, que a forçou a parar para pensar e avaliar sua vida, entender que estava no caminho errado. No final das contas, deu a ela a oportunidade de, depois de procurar muito por sua alma, criar uma ligação com a fonte de sua vida, o Criador.

O ACIDENTE DE MEU GENRO
Meu genro, Rabino Elimelech Eliezer Ben Hena Fraydel, um Rosh Yeshivá (diretor de um Centro de Estudos americano), estava em Israel, a caminho de Tzfat para conduzir um Shabat inspirador para seus alunos. Ele estava num ônibus fretado com 60 de seus estudantes de rabinato, quando o motorista adormeceu, colidindo num inválido veículo do exército, que estava se preparando para entrar na estrada, e foi lançado pelo pára-brisa. Ele sofreu um dano pesado no cérebro e quatro meses mais tarde ainda estava inconsciente. Ele é pai de 12 crianças.
Minha filha, Baila, não o acompanhou nesta viagem porque estava no começo de uma gravidez. O rabino Elimelech Eliezer é um mentor para milhares de pessoas. Sua Yeshivá é um exemplo sem igual, um modelo de aprendizado e vivência de todos os aspectos da vida com paixão. Ele é uma imponente figura, muito alta, cuja presença e brilho traziam uma notável alegria e energia onde quer que fosse. “Gevaldig” (incríveis), era sua resposta pronta e consistente para toda investigação sobre como as coisas estavam indo.
No final das contas, ele não sabia onde estava indo quando partiu em sua viagem. Nenhum ser humano, não importa o quão grande e poderoso seja, pode predizer as circunstâncias de suas vidas. Só D’us sabe e está sob Seu comando. Porém, o que podemos controlar são nossas respostas em relação ao que ocorre conosco. A habilidade de resposta - a habilidade de escolher nossa resposta — é sempre nossa prerrogativa.
Victor Frankl, em seu trabalho de logoterapia, afirma que até nos campos de concentração, onde a morte era inevitável, havia uma escolha de como se morreria, se era com dignidade e compaixão pelos outros, ou se revoltando contra D’us, comportando-se desumanamente em relação aos outros. A vida nos apresenta diariamente muitos desafios e os recursos de uma pessoa está nas respostas que escolhemos. Alguém habilmente observou que a vida de todo mundo já está escrita de uma forma ou de outra, em uma prisão de limitações. O desafio está então em fazer o que nós focalizamos nas grades que nos confina, ou devemos passar por elas e chegar mais além?

TRANSFORMANDO A FERIDA
Um rei, nos tempos antigos, possuía um diamante de incomparável beleza.
Era o seu tesouro mais estimado. Em tempos de festa, ou quando ele hospedava hóspedes estrangeiros, orgulhosamente exibia seu diamante. Em uma destas ocasiões, quando tirava o diamante da caixa, este caiu no chão e sofreu um feio corte que severamente arruinaria sua extraordinária beleza. O rei, com o coração partido ,anunciou que a pessoa que consertasse seu estimado diamante teria todos os seus pedidos concedidos por ele. Mas se ele falhasse, seriam sumariamente executado.
Artesãos vieram de todos os lugares, mas ao observarem a extensão do dano, se recusaram a tentar. Finalmente um artesão concordou em se empreender na arriscada tarefa. Ele foi provido com um quarto e as ferramentas requisitadas e depois de muito tempo apresentou o diamante para o rei. O rei, ao olhar a peça, deu um suspiro. O diamante ainda tinha o volumoso corte, mas o artesão o transformou em um talo e ao redor dele esculpiu pétalas que formavam uma magnífica flor. Tão surpreendente quanto o diamante era antes, agora ele estava muito mais primoroso e bonito.

Existem pessoas entre nós que são capazes de pegar as feridas da vida e transformá-las em recursos internos, as transformando em forças que as fazem pessoas mais profundas, compreensivas e com mais compaixão do que podiam ter sido caso contrário.
Mas uma observação deve ser feita. Deve-se tomar nota de que pegar a estrada principal não significa que nós negamos a dor, ou que olhemos para aqueles que estão aflitos e esperamos deles uma devoção total e virtuosa, ou de sermos passivos ao que ocorre com o próximo. Nosso papel é fazer tudo que podemos para minimizar o sofrimento e o infortúnio de nossos semelhantes.

Quando outra pessoa está em crise não é o tempo apropriado para ensinar a fé. Melhor, deve-se aliviar a situação, oferecendo nossos recursos sentimentais, materiais e espirituais.

Alguns pontos para sobrevivência em tempos de crise (D’us nos livre) estão abaixo:

1.Tome cuidado com a pergunta “por que”. Isto é, Por que D’us fez isto comigo? Por que devo passar por isto? Estas perguntas freqüentemente não nos levam a parte alguma. Talvez uma abordagem mais construtiva seja mudar a pergunta do estilo de “por que” para uma pergunta como “qual e o que”. Dadas as circunstâncias, qual é o meu papel? O que D’us quer que eu faça? Qual deve ser minha resposta? Quais metas devo colocar para mim mesmo para sobreviver fazendo disto uma experiência de crescimento?

2. ‘Se Deixe ir e deixe com D’us –a base de todos os programas de 12 passos. Renunciar a ilusão de controle pode ser muito libertador. A advertência de um psicólogo, é que, em muitas instâncias quando as pessoas ’se entregam a D’us,’ elas passam a ter algumas expectativas de como as coisas deveriam ser. Quando não encontram, perdem rapidamente suas esperanças na capacidade de D’us e voltam para trás. Sua atitude parece ser a de que “eu me entregarei a D’us, desde que Ele faça as coisas do meu modo.” Embora “virar a página”, ou melhor, “recomeçar”, possa soar fácil, é realmente um ato de profunda confiança no qual as pessoas cedem o controle para algo nunca visto antes e, para muitos, incerto. Às vezes, o resultado não é um caminho conveniente, indolor ou claro em direção a resolução do problema, e sim uma longa e sinuosa estrada. ‘ Se Deixe ir e deixe com D’us ‘ é uma frase cativante, mas a verdade é que muitos de nós simplesmente não tem a fé e a coragem para dar um passo mais longo, ou seja ,um pulo em algo do qual ainda não têm certeza.

3.A fé é uma resposta aprendida. Não é algo natural a uma pessoa ou uma revelação. Deve se trabalhar duro para desenvolver sua fé. É uma disciplina interna. A palavra em hebraico para fé é ‘emunah’, que compartilha uma raiz com a raiz, ‘emun’, que quer dizer treinar. A alma deve treinar para alcançar uma resposta significante. E Isto é feito ao se relacionar com pessoas que são um modelo de fé, grupos de apoio, experiências, lendo materiais, fitas e tendo uma orientação apropriada. A introspecção e meditação podem ser muito úteis.

4.O poder da oração. A oração e a leitura de Salmos são ferramentas poderosas para cultivar o laço mais significante de todas as relações — nossa conexão com D’us. Somente esta conexão nos dará forças para navegar nos testes e tribulações da vida. Muitos Cabalistas e rabinos intuíram que o acidente do meu genro foi orquestrado por D’us a fim de evocar orações mundiais a seu favor. Precisamente, como era amado e honrado nos corações de tantos, foi escolhido para unir as orações de judeus em todos lugares para D’us. Toda pessoa pode começar onde está, e construir pouco-a-pouco seu dia a dia.

Os sábios do Talmud nos ensinam que o verso no livro de Zachariá, “Naquele dia o Todo-poderoso será Um e Seu Nome será Um,” se refere ao tempo em que todos os pedaços do quebra-cabeça estiverem em seu devido lugar, e a luz esclarecedora de D’us iluminará a escuridão.
Atualmente, em nossos tempos, nós recitamos duas bênçãos separadas. Quando eventos bons acontecem, nós recitamos, “Santificado é Você, D’us, Que é bom e faz o bem.” Porém, se a natureza do evento é morte ou infortúnio (D’us nos livre), nós declaramos, “Santificado é Você, o Justo Juiz.”

Em nosso mundo de ilusão, isto é o melhor que podemos fazer em meio à dor, ao sofrimento, à perda, e à tragédia. Mas, no futuro próximo, quando formos os beneficiários desta última luminosidade, só haverá uma bênção para tudo, agradecendo a D’us por tudo que é bom. Nós entenderemos então por que todas as coisas tiveram que ser como foram e como são, e que desde o princípio elas foram, em última instância, para nosso bem.

Que este dia chegue rapidamente em nossos tempos.

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O SIGNIFICADO DA ESTRELA DE DAVID - MAGUEN DAVID


Do site do Aish Hatora Brasil 

Vale a pena entrar e ver,

Abs

Fernando Bisker

www.AishBrasil.com.br




A estrela de David
Rabino Shraga Simmons

Do Holocausto a bandeira de Israel, qual é o significado mais profundo deste símbolo judaico de seis pontas?

Nos tempos atuais, a Estrela de David se tornou um símbolo judaico muito importante. Esta estrela de seis pontas (hexagrama), formada por dois triângulos entrelaçados, é encontrada em mezuzot, menorá, talit, bolsas e kipot. As ambulâncias em Israel tem o sinal da “Estrela Vermelha de David”, e a bandeira de Israel tem uma Estrela azul de David no centro.

Qual é a origem deste símbolo de seis pontas?

Levando-se em conta a longa e difícil história do povo judeu, chegamos a compreensão de que nossa única esperança é confiar em D’us. As seis pontas da Estrela de David simbolizam o controle de D’us sob o universo em todas as seis direções: norte, sul, leste, oeste, em cima e em baixo.

Originalmente, o nome hebraico Magen David significa, literalmente “Proteção de David”, referindo-se poeticamente a D’us. Reconhece que nosso herói militar, o Rei David, não ganhou por seu próprio poder, mas pelo apoio do Todo-poderoso. Ela também é referência na terceira berachá depois da Haftorá lida no Shabat: “Santificado seja você D’us, Proteção de David”.

Várias outras explicações existem por trás da Estrela de David.

Outra explicação é que a estrela de seis pontas recebe forma e substância através de seu centro. A parte interna representa a dimensão espiritual, cercada pelas seis direções universais. (Uma idéia semelhante se aplica ao Shabat, o sétimo dia que dá equilíbrio e perspectiva ao seis dias de semana).

Na Cabalá, os dois triângulos representam as dicotomias inerentes ao homem: bom versus mal, espiritual versus físico, etc. Os dois triângulos também representam a relação recíproca entre D’us e o povo judeu. O triângulo que aponta “para cima” simboliza nossas boas ações que sobem para o céu, e então ativam um fluxo de bondade pelo mundo, simbolizado pelo triângulo que aponta para baixo.

Uma outra teoria mais prática é que durante o período de rebelião de Bar Kochbá (primeiro século), uma nova tecnologia estava sendo desenvolvida para os escudos utilizando a estabilidade inerente ao triângulo. Atrás do escudo havia dois triângulos entrelaçados, formando um padrão hexagonal de ponto de suporte.

Uma sugestão cínica é a de que a Estrela de David é um símbolo apropriado para a disputa interna que aflige freqüentemente a nação judaica: dois triângulos que apontam para direções opostas!

A Estrela de David é um triste símbolo do Holocausto, quando os nazistas forçaram os judeus a vestir uma estrela amarela que os identificava. Na realidade judeus foram forçados a vestir distintivos especiais durante a Idade Média, ambas por autoridades muçulmanas e Cristãs, e até em Israel, na época do Império otomano.

Então, mesmo sendo uma estrela azul flutuando orgulhosamente numa bandeira, ou uma estrela de ouro adornando a entrada de uma sinagoga, a Estrela de David permanece como uma lembrança para o povo judeu de que em D’us nós confiamos.

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Sunday, October 12, 2008

COMO ENTENDER O CONCEITO DE COINCIDÊNCIA - MIKREH -

:: REFLEXÃO


Coincidência, será por acaso?
Até a ciência já diz que “nada é por acaso”

Um novo ramo da ciência – o estudo da Sincronicidade – sugere que o acaso não existe. Eventos inesperados fariam parte de uma ordem “superior” que regula desde os átomos até a nossa vida.


Mas isto não é novidade. Coincidências acontecem por toda a parte e com todo tipo de gente. (Quem nunca se surpreendeu com o fato de lembrar de alguém que está distante e, em seguida, receber uma ligação desta pessoa?) Mas, quando elas acontecem, fica no ar a polêmica entre os que preferem o argumento racional, baseado em cálculos de probabilidade, e os que adotam a justificativa religiosa de que nada ocorre por acaso. A novidade é que um filão recente da pesquisa científica pode estar prestes a acabar com esse dilema. Nessa nova perspectiva, as coincidências fazem parte de um fenômeno amplo e universal, cujas entranhas guardam os segredos da própria funcionalidade do cosmo: o fenômeno da sincronia.

Na contramão de algumas teorias e até das leis da termodinâmica – que sugerem a implacável degeneração da natureza num estado de grande desordem – o estudo da sincronia sugere um universo mais harmônico e cooperativo do que jamais imaginamos. 

Um lugar onde todas as partes – do átomo às galáxias, da bactéria ao homem – bailam em parceria, sob o comando de uma ordem. “O Universo inteiro parece carregar as sementes de sua ordenação”, diz Steven Strogatz, matemático da Universidade de Cornell, nos EUA, e pioneiro do que vem sendo rotulado de ciência da sincronicidade. “Esse é o futuro da ciência, o caminho para se responder às questões maiores e eternas”, diz o matemático. No semestre passado, Strogatz publicou o livro Sync – The Emerging Science of Spontaneous Order (“Sincronicidade – a emergente ciência da ordem espontânea”, ainda não editada no Brasil), no qual Strogartz resume o histórico e o propósito do novo campo de estudo, comenta teorias e modelos já concebidos e prevê a aplicação da sincronicidade em áreas tão diversas como o congestionamentos de trânsito, as oscilações do mercado financeiro e a prevenção de doenças genéticas. 

Na década de 1960, o biólogo americano Arthur Winfree, falecido recentemente, estudou o sincronismo entre seres vivos a partir do espetáculo dos vaga-lumes no Sudeste Asiático que, aos milhares, costumam piscar em uníssono nos matagais ribeirinhos. O fenômeno começa com cada inseto emitindo flashes em seu próprio ritmo. Dentro de uma poucos minutos já há bolsões de sincronia que se ampliam, formando uma nuvem de vaga-lumes piscando como se fosse um único e gigantesco inseto. Como isso acontece? Winfree descobriu que o piscar de um vaga-lume é um sinal que estimula o vizinho a reprogramar a sua própria freqüência de flashes, ajustando-a ao ritmo do companheiro. Estabelecida a sincronia em uma dupla, o efeito se espalha pelo resto do grupo. Seja em um bando de vaga-lumes ou em outros tipos de sistemas, a sincronização só ocorre quando sinais trocados pelos indivíduos superam a freqüência inicial de um ou de outro, provocando a reprogramação dos ciclos dos outros indivíduos influenciados. “Abaixo desse marco, predomina a anarquia. Acima dele, estabelece-se um ritmo coletivo”, escreveu Winfree. 

O movimento da Lua em torno da Terra é fruto de sincronismo. No trânsito, por exemplo, cada automóvel tem sua complexidade, mas também interage com os demais veículos, influenciado por fatores como regras do tráfego e o tempo dos semáforos. Se conseguirmos equacionar esses fatores, será possível colocar os veículos em sincronia fazendo com que um tráfego congestionado venha a se comportar como tráfego intenso, porém fluindo satisfatoriamente. 

Um desafio ainda maior seria o de estabelecer sincronicidade em eventos humanos. Muitos pesquisadores falham nesse intento, segundo Strogatz, porque seus modelos subestimam a particularidade do homem e seu livre-arbítrio, pretendendo que ele atue como um robô. Curiosamente, a Torá nos mostra o conceito da sincronicidade humana em várias passagens, como demonstra a parábola que se segue.

Um homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem de muita fé, e tinha certeza que D’us o protegeria durante o percurso. Enquanto sobrevoavam o mar, um dos motores falhou, e o avião se precipitou sobre oceano. Quase todos os passageiros morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que mantinha seu rosto acima da água. Ficou boiando a deriva por muito tempo, até que chegou a uma ilha deserta. Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a D’us por ter sido incrivelmente salvo da morte.

Conseguiu alimentar-se de peixes e ervas, derrubar algumas árvores e, com muito esforço, construir uma pequena cabana. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, de paus e folhas, que significava proteção. Ficou bastante satisfeito e novamente agradeceu a D’us, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que eventualmente existissem na ilha. Um dia, estava pescando e apanhara muitos peixes. Feliz por ter comida suficiente, ao retornar, qual não foi sua decepção ao ver seu abrigo todo incendiado. Sentou-se em uma pedra e, aos prantos, disse: 

“Meu D’us, como podes deixar que isto aconteça comigo? Sabes que preciso muito desta casa, para poder me abrigar e proteger. Como podes deixar que ela se queime? Meu D’us, não tens compaixão por mim?” 

Neste momento, uma mão lhe tocou o ombro e ele ouviu uma voz dizendo: “Vamos!”

Surpreso, viu um marinheiro todo fardado dizendo: “Vamos rapaz, viemos te buscar!”

“Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?”, perguntou o homem, incrédulo.

“Ora amigo! Vimos seus sinais de fumaça pedindo socorro e o capitão ordenou que viéssemos lhe buscar naquele barco ali adiante”.

Foram para o barco e, graças ao incêndio que havia destruído sua moradia temporária, o homem pôde voltar para seu lar e entes queridos. 

Há certas coisas que nos acontecem que fazem parte de uma ordem superior, e que trazem boas influências e mais harmonia para nossas vidas, sem nos darmos conta, muitas vezes, da quantidade de fatos que conspiram a favor de um determinado desfecho. 

A Torá nos mostra que este projeto já estava esboçado na criação do mundo, que D’us programou a sincronicidade para estar enraizada em todas as leis da natureza, para que pudéssemos viver neste mundo e cumprir o nosso papel, fundamental e único, interagindo com todos os outros, dentro da Criação como um todo. 

Vimos, portanto, que o fenômeno da sincronia não é uma novidade para nós judeus, com nossa riquíssima herança de conhecimentos da Torá. É, sim, a maior prova da existência de um Ser Supremo que rege todos os acontecimentos. 

“Aquele que diz que a ciência contradiz a Torá, provavelmente não sabe o que a Torá diz sobre o assunto, ou não entendeu o que a ciência quis provar”. 

Rabino Chaim Vital Passy

Posted by Fernando at 19:23:53 | Permalink | No Comments »

FEIJOADA SERVIDA COM AMOR - TSHULENT




Convidados de Shabat

Freqüentemente, R. Yaacov Herman recebia 23 convidados para o Shabat; pessoas de todos os tipos que se reuniam para desfrutar de sua hospitalidade.
Certo Shabat à tarde, Rabi Herman vestia uma capota nova e cara, que lhe fora dada de presente por um parente próximo. Ele servia, para cada um dos convidados, o tsholent (espécie de Feijoada Casher) fumegante com uma concha, em grandes pratos de sopa . Um dos presentes era emocionalmente imprevisível. Quando R. Herman colocou a porção de tsholent quente à sua frente, o homem gritou:
- Não gosto disto!
Pegou o prato e o atirou no R. Herman, fazendo com que todo o seu conteúdo voasse sobre a capota.
Todos que estavam à mesa recuaram de uma só vez, horrorizados. Os familiares ficaram pasmos. O convidado fitou suas mãos e o prato no chão. Então, levantando a cabeça, olhou atordoado ao redor da mesa. Assustado com sua própria atitude, pulou da cadeira e saiu correndo dali.
Rabi Herman largou a concha e a travessa de tsholent na mesa e correu atrás dele . Dali a pouco, voltou com o convidado, cheio de pedaços de cebola e grãos de feijão ainda grudados em sua capota. Segurando-o pelo braço, conduziu gentilmente o homem, ainda assustado, até a mesa. Daí, preparou um lugar limpo à mesa e disse com a voz tranqüila:
- Não se preocupe, vou lhe dar outro prato de tsholent que você vai gostar.
Mais tarde, enquanto tentava remover a comida de sua capota, da maneira como o Shabat o permitia, alguém se aproximou e disse:
- Diga-me, como o senhor tem paciência para lidar com gente assim?
Rabi Herman sacudiu os ombros e, continuando a limpar sua capota, respondeu:
- Quando temos compaixão, a paciência não é necessária.

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Thursday, October 2, 2008

persistencia,

Persistência




Um garoto vivia só com seu pai. Ambos tinham uma relação extraordinária e muito especial. O jovem pertencia à equipe de futebol americano da escola. Normalmente não tinha oportunidade de jogar. Bom, quase nunca! Mesmo assim, seu pai permanecia sempre nas grades, lhe fazendo companhia. O jovem era o mais baixo da classe quando começou o segundo grau e insistia em participar da equipe de futebol do colégio. Seu pai sempre o orientava e explicava claramente que ele não tinha que jogar futebol se não quisesse realmente. Mas o garoto amava jogar futebol e não faltava em nenhum treino ou jogo. Estava decidido a dar o melhor de si e se sentia comprometido.

Durante a sua vida no segundo grau chamavam-no de “esquenta banco” porque vivia sentado como reserva… Seu pai, com espírito lutador, sempre estava atrás das grades, fazendo companhia, dizendo palavras de consolo e o melhor apoio que algum filho podia esperar! Quando começou a universidade tentou entrar na equipe de futebol. Todos estavam certos que não conseguiria, mas venceu a todos, entrando na equipe. O treinador deu-lhe a notícia, admitindo que o tinha aceito porque ele demonstrava jogar de corpo e alma em cada um dos treinos e ao mesmo tempo dava a toda a equipe um grande entusiasmo.

A notícia encheu seu coração por completo. Correu ao telefone mais próximo e ligou para seu pai que compartilhou com ele a emoção. Enviava ao pai os ingressos para todos os jogos da universidade. O jovem atleta era muito persistente. Nunca faltou a nenhum treino ou jogo durante os 4 anos da Universidade, mas nunca teve a chance de participar de nenhum jogo. No final da temporada, alguns minutos antes de começar o primeiro jogo das eliminatórias, o treinador lhe entregou um telegrama. O jovem pegou-o e logo depois de lê-lo ficou em silêncio… Respirou fundo e tremendo disse ao treinador:

– Meu pai morreu esta manhã. Existe algum problema se eu faltar ao jogo hoje? O treinador abraçou-o e disse:
– Fica o resto da semana de folga, e nem se preocupe em vir no Sábado.

Chegou o sábado e o jogo não estava bom. Quando a equipe tinha 10 pontos de desvantagem o jovem entrou no vestiário, colocou o uniforme em silêncio e correu até o treinador e sua equipe, que ficaram impressionados ao ver seu companheiro regressando.

– Treinador, por favor, deixe-me jogar… eu tenho que jogar hoje, implorou o jovem. 

O treinador não queria escutá-lo. De nenhuma maneira podia deixar que seu pior jogador entrasse no final das eliminatórias. Mas o jovem insistiu tanto que, finalmente o treinador sentindo pena disse:

– OK filho, pode entrar, o campo é todo seu.

Minutos depois, o treinador, a equipe e o público não podiam acreditar no que estavam vendo. O pequeno desconhecido, que nunca tinha participado em nenhum jogo, estava sendo brilhante. Ninguém podia detê-lo no campo. Corria facilmente como uma estrela. Sua equipe começou a fazer pontos até empatar o jogo. Nos últimos segundos do jogo, o rapaz interceptou um passe e correu todo o campo até ganhar com um touchdown. As pessoas que estavam nas grades gritavam emocionadas e sua equipe o levou carregado por todo o campo. Finalmente quando tudo terminou, o treinador notou que o jovem estava sentado quieto e só, numa esquina. Aproximou-se e disse: 

– Garoto, não posso acreditar…esteve fantástico!!! Conte-me como conseguiu!? O rapaz olhou para o treinador e disse:
– O senhor sabe que meu pai morreu… Mas sabia que meu pai era cego? O jovem fez uma pausa e tratou de sorrir…
– Meu pai assistiu todos os meus jogos, mas hoje era a primeira vez que ele realmente podia me ver jogando… E eu quis mostrar-lhe que podia fazê-lo.

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POR QUE NÃO USAMOS TZITZIT QUANDO VAMOS AO CEMITÉRIO

Por que não podemos usar Tzitzit em cemitérios?



Resposta (do Moré Hersch Isler): Para compreendermos o motivo pelo qual não deixamos o tzitzit à mostra, precisamos de uma introdução a alguns conceitos do judaísmo. O primeiro deles é que o judaísmo - ao contrário do que muita gente pensa – defende a reencarnação, a idéia de que a alma é eterna. Segundo as mais diversas fontes talmúdicas e cabalísticas, o indivíduo não deixa de existir após sua morte física: ele migra para uma outra dimensão. O ser humano não é feito apenas de carne e osso. Outro conceito é que durante um determinado tempo as almas visitam o cemitério. A mitzvá de vestir o tzitzit é uma das mitzvot (mandamentos) mais fáceis de se cumprir. Os fios, presos nas extremidades da vestimenta com quatro pontas inferiores, servem para lembrar o judeu da necessidade de se cumprir as mitzvot. Vestir esta peça de roupa é um simples gesto, com grande recompensa no mundo vindouro. Entrar no cemitério com os fios do tzitzit para fora, pode causar ressentimento àqueles que passaram para outra dimensão, uma vez que estes já não podem mais fazer mitzvot que lhes concedam méritos tão facilmente. É por respeito àqueles que já se foram deste mundo que o judeu que usa tzitzit para fora tem a obrigação de ocultá-lo ao entrar no cemitério.


Editado por Fernando Bisker

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Monday, September 29, 2008

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS PELO JUDAÍSMO, PROIBIDO OU PERMITIDO? Torah..

I – Prezado Rabino Chaim, agradeço o esclarecimento a respeito da última questão, já que tinha dúvidas freqüentes, e sempre havia recebido informações insatisfatórias e contraditórias. Por sua explicação entendo que a doação de órgãos não é considerada uma mitzvá apesar de uma doação ser capaz de salvar a vida de uma terceira pessoa. Correto? Gostaria de saber sua opinião também a este respeito, já que esta questão não é menos controversa que a primeira. Shaná Tová! Renato Goldberg Olá Renato,este assunto é complexo e cada caso deve ser bem analisado por uma autoridade rabínica. A princípio, a doação de qualquer órgão que causaria um prejuízo físico ou colocaria a vida do doador em risco, é proibida. Mesmo com o intuito de salvar a vida de outra pessoa, e mesmo que este doador esteja à beira da morte. Por outro lado, se esta mesma doação não implicar em riscos para a vida do doador, além de ser permitido, através desta doação ele cumpre a mitzvá de salvar a vida do próximo, conforme disseram nossos sábios: “Todo aquele que salva a vida de alguém é como se salvasse o mundo inteiro”. Sob este enfoque, a doação de sangue, que na maioria dos casos não causa prejuízo ao ser humano, consiste em uma grande mitzvá. Com relação à doação post-mortem, para que se obtenham bons resultados médicos, a doação de certos órgãos deve ser feita de imediato, quando o corpo ainda é considerado vivo. Segundo a Lei Judaica, a morte cerebral não é morte, mesmo que a medicina assim considere. Por isso, a doação de órgãos vitais, como coração, pulmão, entre outros, exigiriam a morte de um para salvar outro, o que não se considera ético, já que toda vida tem o seu valor. Shabat Shalom! Shaná Tová!

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EXISTE VIDA APÓS A MORTE PELO JUDAÍSMO?? A Luz no fim do túnel


 Existe vida após a morte?

Vocês sem dúvida já ouviram falar sobre aquelas pessoas que no meio de uma cirurgia entraram em um período de coma e que depois acordaram, narrando suas impressionantes visões, certo?! Ou dos casos de acidentes nos quais uma pessoa “desligou por alguns momentos” e relatou experiências inesquecíveis do “outro mundo”. O livro “Vida após a Vida” traz um resumo de 700 casos pesquisados pelo Dr. Remond Moody da Universidade de Virginia, nos EUA, e pela Dra. Elizabeth Kobler-Ross, também norte-americana, do estado de Detroit, renomada psiquiatra que analisa os aspectos psiquiátricos da morte. O livro traz resumos de testemunhos, e pontos em comum nos relatos dos entrevistados. A propósito, os principais pontos apareceram em todos os casos. Sem intersecção de nível social, grupo étnico, ou religião dos entrevistados, todos contavam histórias com os mesmos fatores. Alguns deles traremos a seguir:

O TÚNEL ESCURO 


Muitos dos entrevistados contaram que logo após “morrerem” passaram por um caminho escuro: “Tive a sensação de passar por um vale muito fundo e escuro. A escuridão era tão profunda e impenetrável que eu não conseguia ver absolutamente nada, e, ainda assim, foi a experiência mais maravilhosa e libertadora possível.” Este relato lembra o que descreve o livro de Zohar: “Quando a alma sai deste mundo, ela entra na caverna do Machpela, porque lá é a porta para o Gan Éden.” (Zohar, Leich Lechá 81,1, Bereshit 57,2) 

O SER DE LUZ 

O livro traz diferentes testemunhos sobre cada elemento que é citado repetidamente em diversos contextos, cada um com sua linguagem. Traremos aqui um dos elementos mais interessantes da pesquisa. Narra a Dra. Kobler-Ross: “O que é talvez o mais incrível elemento comum dos relatos que estudei, e é certamente o elemento que tem o mais profundo efeito sobre o indivíduo, é o encontro com uma luz muito brilhante. Tipicamente, em sua primeira aparição, a luz é tênue, e rapidamente fica cada vez mais brilhante, até que alcança um brilho extraterreno. Contudo, ainda que essa luz (dita branca ou “clara”) seja de um brilho indescritível, muitos fizeram questão de acrescentar que de modo algum dói nos olhos ou ofusca, nem impede de ver outras coisas ao redor (talvez porque a essa altura não tenham ‘olhos’ físicos para serem ofuscados).

Apesar da manifestação inusitada da luz, ninguém expressou qualquer dúvida de que tratasse de um ser, um ser de luz. Descrevem um ser pessoal, com uma personalidade bem estabelecida. O amor e calor que emanam deste ser para as pessoas que estão morrendo estão completamente além das palavras, e elas se sentem completamente rodeadas por eles, completamente à vontade e aceitas na presença deste ser. Sentem uma atração magnética e irresistível por essa luz. Uma atração inelutável,” conclui a Dra. Ross. Daqui não é tão difícil extrair o óbvio, conforme a interpretação da própria entrevistadora, de que esta luz seria a Divindade. A propósito, a Torá também descreve uma das revelações de Hashem como uma luz incandescente: “Quando D’us se revelou para Moshe pela primeira vez, este enxergou a D’s como um ‘fogo do arbusto que não se consumia’.” (Shemot, 3,2).

Esta luz se vê depois da morte. Pois quando Moshe pediu para ver a Divindade, D’us lhe respondeu: “Pois não me verá um homem, enquanto vivas.” (Shemot 33,20). Sobre este versículo, Rabi Dossa deduziu: “Durante suas vidas não verão, mas quando morrerem, então verão.” (Bamidbar Raba, Parasha 14). Consta no Zohar também: “No momento em que o homem sai deste mundo (…) antes da alma sair do corpo a alma vê (…) tudo o que explicamos e aqueles que estão próximos devem fechar seus olhos (…) Acontece com toda pessoa, a alma não sai do corpo até que a Shechiná (Presença Divina) se revele para ele, e a alma se despede do corpo com um sentimento de alegria e carinho da Shechiná.” 

Depoimentos

Citaremos alguns trechos que nos ensinam sobre o questionamento acerca da vida: “A primeira coisa que Ele me disse, que Ele me perguntou, foi se eu estava pronta para morrer, ou o quê eu tinha feito com minha vida que desejaria Lhe mostrar”. 

“A voz me fez uma pergunta: ‘Vale a pena?’, e o que Ele queria dizer era se tinha válido a pena viver. É muitas vezes óbvio que o Ser Divino pode ver toda a vida do indivíduo e que Ele próprio não necessita dessa informação. Sua única intenção é provocar a reflexão”. 

“Era como se eu estivesse olhando sob a perspectiva do tempo. Era como se a menininha que eu via fosse outra pessoa, como no cinema, uma menininha entre outras crianças brincando ali no parque. Mas era eu. Via-me fazendo coisas, como criança, e eram exatamente as mesmas que eu tinha feito, porque me lembrava delas”. 

“Em alguns casos, conta-se que as imagens são vistas em cores vibrantes, tridimensionais e até em movimento. E, mesmo que estejam perpassando rapidamente, cada imagem é percebida e reconhecida. Até mesmo as emoções e sentimentos associados com as imagens podem ser novamente experimentados”. 

“Alguns dos que entrevistei declaram que, embora não possam explicar adequadamente, tudo o que fizeram estava nessa recapitulação – do mais insignificante ao mais significativo.” 

Não é necessário trazer fontes para esta idéia como consta na Torá – Traremos somente uma citação do Zohar (Naso, pg 126): “Naquela hora, quando a pessoa está deitada, amarrada com a corrente do Rei, eleva seus olhos e vê que se dirigem a ele dois anjos (…) que escrevem tudo o que ele fez no mundo, e tudo o que saiu de sua boca (…) e ele confirma-os, pois o ato que fez aparece perante ele e não sai de sua vista, até a hora em que é julgado naquele mundo.” 

FORA DO CORPO 

Muitos contaram estar vendo de cima o que acontecia neste plano. “Eu podia ver meu próprio corpo todo esbandalhado no carro no meio de toda a gente que se reuniu em torno, mas aquilo não me despertava nenhum sentimento. Era como um ser humano totalmente diferente, ou talvez mesmo apenas um objeto (…) Sabia que era meu corpo, mas não sentia absolutamente nada em relação a ele”.

A Gemará (Shabat) nos dá informações que explicam este fenômeno. “Durante 12 meses (após a morte) o corpo ainda existe, e a sua alma ascende e também descende. Depois de 12 meses, o corpo se desintegra e a alma ascende definitivamente.” E no Zohar (Vayehi, 218) disse Rabi Yehuda: “Durante todos os sete dias [logo após o falecimento] a alma vai da sua casa para o seu túmulo, e do túmulo para sua casa, e se enluta pelo corpo. Ela visita sua casa e vê que estão todos tristes, e então se enluta”. Este é o motivo pelo qual sentamos shivá e nos enlutamos sobre a alma do falecido. 

ENCONTRANDO OUTROS 

As testemunhas disseram ter encontrado amigos já falecidos, nestes momentos de “quase morte”: “Passei por essa experiência quando estava dando à luz uma criança. O parto foi muito difícil e perdi bastante sangue. O médico deu-me por perdida e disse a meus parentes que eu estava morrendo. No entanto, eu estava bem alerta o tempo todo, e mesmo quando o ouvia dizer tudo isso, senti que estava voltando. Neste momento, percebi toda aquela gente que estava lá, parecia quase uma multidão parada em volta do teto do quarto. Eram, todas, pessoas que eu tinha conhecido na minha vida passada, e que tinham morrido. Notei a presença de minha avó e de uma menina que conheci na escola, e muitos parentes e amigos. Parecia ver suas faces em especial e sentir sua presença. Todos pareciam felizes. Era uma ocasião muito feliz, e senti que tinham vindo me proteger e me guiar. Era como se eu estivesse voltando para casa e eles estivessem lá para me saudar ou receber com boas-vindas. Nessa ocasião tive a sensação de que tudo era luz e beleza. Foi um momento lindo e glorioso”.

Novamente, o que a Dra. Kluber-Ross descobre em sua pesquisa, já nos havia sido revelado muito tempo antes, no Zohar (Haazinu 288): “Consta que na hora de seu falecimento, Rabi Shimon Bar Yochai disse: ‘Eis que Rav Hanina, o velho (já falecido) está aqui’. E mais: ‘Na hora que o homem morre, lhe é dado licença para ver, e ele enxerga próximo a ele, seus parentes, amigos daquele mundo, e os reconhece. E todos se mostram em suas aparências como eram neste mundo. E se ele é merecedor, todos estão felizes, alegres e lhe cumprimentam com a Benção da Paz…’ ”. Que todos nós tenhamos sido inscritos e selados no Livro da Vida, neste Yom Kipur, e que sejamos também merecedores, depois dos 120 anos, de uma Benção de

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É permitido a cremação pelo Judaísmo?

Porque o judaísmo não permite a cremação?


Renato Goldberg, Rio de Janeiro

Olá Renato,

Este assunto é até bem oportuno, já que o assunto desta semana no nosso Makom Mail é “Vida após a morte”. O judaísmo considera corpo e alma como entidades que permanecem interligadas mesmo após o falecimento. O processo de “desligamento” do corpo não é imediato. Após o momento da morte, a alma continua em contato com o corpo, e ainda compartilha de todas as suas sensações. Consta do Talmud: “O enterro não é para o bem dos vivos, mas sim para os mortos.” (Sanhedrin 47 a). Por isso também não devemos desrespeitar, mutilar ou tirar qualquer proveito de um corpo humano, para não causar dor àquela alma. Ao enterrar estamos praticando uma mitzvá baseada no que D’us disse a Adam: “Retornarás ao solo, pois é do solo que foste feito.” (Bereshit 3:19). Acreditamos que o corpo passa por um processo de purificação ao ser enterrado, e ali descansará até que se cumpra um dos princípios da fé judaica, que é a “Ressurreição dos Mortos.” A tradição judaica registra que, ao ser enterrado conforme a lei judaica, um único osso na parte posterior do pescoço jamais se decompõe. É a partir do chamado osso “Luz” que o corpo humano será reconstituído no futuro, na Era Messiânica. Com a cremação, este importante osso seria destruído. Se nos tempos antigos o famoso provérbio médico enfatizava: “Mente sã em corpo são” para uma vida saudável, no judaísmo isso se aplica também após o falecimento. 

Shaná Tová!
R. Chaim V. Passy

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ASTROLOGIA, HOROSCOPO, MAPA ASTAL PELA VISÃO JUDAICA

Astrologia, a visão judaica 




Em Jerusalém havia um sábio sefaradita chamado Chacham (“sábio”) Shabetai. Ele era um grande estudioso da Torah e do Talmud e sabia os códigos de lei na ponta dos dedos. Ele seria um típico estudioso de Torah, exceto por uma coisa, Chacham Shabetai tinha uma vocação muito incomum… Ele era especialista em mapa astral e horóscopos!

O Chacham fazia o mapa astral da pessoa mesmo ela não estando na sua presença. Era necessário saber a data e o horário exato do nascimento. Depois ele perguntava o nome em Hebraico completo. Após estas informações, ele fazia uma análise do caráter e da personalidade da pessoa de uma forma excepcional.

Uma vez ele fez um horóscopo de um conhecido filantropo, famoso pelas grandes somas de dinheiro que doava à caridade. Depois de fazer seu mapa, o Chacham lhe disse que sua personalidade tinha duas características conflitantes. Uma característica mostrava que ele era muito generoso e outra o mostrava como muito avarento. Chacham Shabetai disse ao homem que, apesar dele fazer muita caridade, havia uma batalha constante sempre que o fazia. O filantropo admitiu que a análise do Chacham estava correta, acrescentando que ninguém havia percebido este conflito.

Desse modo, Chacham Shabetai usava a astrologia para analisar a personalidade de um indivíduo e até para ajudá-lo a resolver seus problemas. Mas ele não utilizava esse conhecimento para prever o futuro, já que existe uma proibição da Torah em prever futuro.

Chacham Shabetai tinha uma parede repleta de livros sobre astrologia, todos escritos em hebraico por grandes sábios judeus. Atualmente é muito difícil encontrar muitos destes livros, e nenhum deles é tão conhecido, mas todos indicam que há uma forte tradição judaica neste campo. Estes livros ensinam como interpretar o horóscopo, enquanto outros dão razões cabalísticas explicando como e o porquê das estrelas e constelações terem diferentes efeitos.

De uma maneira geral, as tradições judaicas relativas a astrologia são muito diferentes das idéias sobre astrologia que prevalecem no mundo não judaico. Uma das diferenças mais óbvias é o fato de o nome hebraico da pessoa ter um papel muito importante na maioria dos sistemas astrológicos judaicos. Isto se relaciona ao ensinamento talmúdico de que “o nome é causativo”. A idéia de que o nome de uma pessoa tem um papel muito importante na determinação de seu destino se reflete no costume de mudar o nome de alguém no caso em que esteja muito doente; esperando que, ao fazê-lo, seu destino mude.

Há muitas outras diferenças importantes entre a astrologia judaica e a secular, mas elas são de caráter muito técnico. De acordo com Chacham Shabetai, a astrologia judaica é uma disciplina complexa que requer anos para ser compreendida. Por tudo isso, vemos que a astrologia tem um papel muito mais importante no pensamento judaico do que a maioria das pessoas imaginam.

Assim,em várias passagens vemos que o Talmud dá como certo que os astrólogos podem prever o futuro. Por exemplo, consta que os astrólogos do Faraó fizeram a previsão que Moises morreria através da água. Assim, quando sua mãe o colocou num cesto no Nilo, eles presumiram que ele iria morrer. O Talmud diz, ao relatar este incidente, que os astrólogos podem prever algumas coisas, mas eles nunca têm uma visão clara e precisa do futuro. Eles podem ver um esboço desbotado, um quadro definido está além de seu alcance.

Outra história bem conhecida do Talmud diz respeito ao Rabi Nachman. Quando era criança, os caldeus (astrólogos) disseram à sua mãe que, quando crescesse, ele seria um ladrão. Quando ela lhes perguntou como isso poderia ser evitado, eles lhe disseram: “Mantenha sua cabeça coberta para que o temor dos céus esteja sobre ele”. Esta citação talmúdica é particularmente conhecida porque fornece uma das primeiras referências a manter nossas cabeças cobertas. Para ter “temor aos céus”, todos os homens judeus usam sempre um solidéu (kipá) na cabeça.

A questão mais básica é se ela realmente funciona ou não. O grande filósofo, Rabino Iossef Albo, discute isso em detalhe, citando opiniões opostas. Ele chega à conclusão de que as estrelas determinam o destino de um homem até certo ponto, mas este pode ser mudado pelo livre-arbítrio do homem, assim como por seus méritos.

Outro ponto frequentemente questionado é se a astrologia é uma ciência ou uma das artes ocultas. Alguns sustentam a tese de que ela nada mais é do que uma ciência natural e que qualquer pessoa que disponha de todos os mapas e tabelas apropriados pode ser capaz de fazer um horóscopo preciso. Outros, dizem que os mapas e tabelas não são suficientes e que para se obter um quadro claro é necessário possuir um certo grau de Inspiração Divina. Se uma pessoa não é merecedora da Inspiração Divina, a única maneira de conseguir horóscopos precisos é fazer uso das artes ocultas e da feitiçaria, e isto é proibido pela lei judaica nos termos mais rigorosos.

Se alguém se dedica a pesquisar os textos que discutem o assunto, o consenso parece ser que a astrologia é uma combinação de ciência e do sobrenatural. Até certo ponto é uma ciência, e com os mapas e tabelas apropriados qualquer pessoa é capaz de fazer um horóscopo. Porém, sem Inspiração Divina (Ruách Hacódesh), a veracidade da previsão será limitada.

Portanto, numa análise final, a astrologia pode oferecer importantes informações a respeito da teologia judaica. A princípio pode parecer um pouco difícil entender como as estrelas têm o poder de influenciar o homem, mas à medida que investigamos mais profundamente os nossos textos clássicos, estas questões abrem muitas portas e nos proporcionam o entendimento mais profundo de outros conceitos.


Escrito por Rabino André Chaim Vital Passy e compilado e editado por Fernando Bisker

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